Há experiências que somente mais tarde aprendemos a compreender. Quando olho para minha trajetória, não a vejo como a história de alguém que descobriu cedo uma vocação, nem como a de alguém que foi “escolhido” por um ofício ou por algum chamado. Como fenomenólogo e existencialista, eu teria dificuldade em descrever minha história nesses termos.


Flávio Sousa · Psicólogo Clínico · CRP 02/21.404
O que existiu foi outra coisa.
Desde muito cedo, percebia na vida certas fissuras que despertavam minha curiosidade. Havia algo na experiência humana que me fascinava: a maneira como as pessoas mudam, sofrem, escolhem, se perdem e se reencontram; a forma como cada existência parece carregar perguntas que nunca se resolvem completamente. Eu não possuía, naquela época, as palavras para nomear esse interesse. Tampouco imaginava que ele viria a se tornar minha profissão e a espinha dorsal da minha vida.
Era mais um encantamento do que um projeto. Um flerte constante com questões que reapareciam sob diferentes formas, acompanhadas por uma curiosidade persistente diante daquilo que significa existir. Somente mais tarde pude entender que o que eu vivia era uma tentativa de dar sentido à minha própria visão de homem, de mundo e de vida.
Sobre Flávio Sousa
Sartre escreveu:
"Quando a liberdade explode na alma de um homem, os deuses perdem todo o poder sobre ele. Passa então a ser uma coisa puramente humana e só os outros homens podem matá-lo ou deixá-lo viver."
É disso que trata este trabalho. Não de eliminar o sofrimento — mas de atravessá-lo com consciência suficiente para que a liberdade, de fato, possa ser experienciada.
Pensar é, também, um ato ético.
Foi nesse percurso que a Psicologia apareceu. Não como uma resposta ou como um destino inevitável, mas como o lugar onde essas inquietações encontraram uma forma concreta de se realizar. A filosofia, entretanto, não desapareceu; ganhou corpo.
Não por acaso, O Pensador de Rodin — aquela figura curvada sobre si mesma, inteiramente entregue à reflexão — tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da cultura ocidental. Há algo de essencial nessa postura: o ser humano que se dobra sobre a própria existência, que recusa a superficialidade.
Hoje, minha prática clínica é orientada pela perspectiva fenomenológico-existencial e atravessada por autores que marcaram profundamente minha formação, especialmente Nietzsche e Sartre. Deles não retiro doutrinas fechadas nem respostas universais, mas instrumentos para pensar a experiência humana em sua complexidade: liberdade, sofrimento, identidade, responsabilidade, transformação e sentido.
A psicoterapia, para mim, não é apenas um trabalho. É um campo de encontro com aquilo que constitui o humano em sua vulnerabilidade — e em sua potência.
Atuação e Projetos
Sou psicólogo clínico (CRP 02/21.404), cofundador do espaço AFSpsi em Paulista, Pernambuco, e autor do Limiar Existencial e ministro encontros e diálogos sobre temas relacionados à existência humana e ao sentido que atribuímos à experiência de viver. Tanto a clínica, quanto a escrita e esses encontros, nascem da mesma inquietação que me acompanha há muitos anos: a tentativa de compreender, com seriedade e abertura, o que significa existir e o que fazemos com a vida tal como a compreendemos.
Se você chegou até aqui, talvez tenha interesse em conhecer um pouco mais sobre como eu trabalho — mas talvez, também, esteja sentindo que algo em sua própria experiência pede espaço para ser olhado com mais atenção. Você não precisa chegar com essa questão já formulada, nem saber ao certo o que a trouxe até aqui. Tenho total disponibilidade para pensar junto, com o tempo e a atenção que cada história merece. Se algo neste texto o atravessou, este pode ser um bom momento para conversarmos.
Entre o que você vive e o que isso significa.


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